<< voltar notícias

 

24/03/2009 - Proposta à entidade que representa os homossexuais foi rejeitada

 
   

Filipi Oliveira - 24/03/2009

A declaração de utilidade pública para a Associação Paranaense da Parada da Diversidade foi rejeitada pela maioria dos vereadores de Curitiba.

Com a titulação, a entidade, que integra o movimento GLBT – Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – pode se habilitar a projetos e convênios com o poder público e ainda conseguir isenção da taxa de alvará de funcionamento. Porém, a proposta não foi aceita na Câmara Municipal de Curitiba.

Para o vereador pastor Valdemir Soares (PRB), os recursos públicos não devem ser usados para esta finalidade e, nas palavras dele, devem ser mais bem investidos.

A opinião do pastor da Igreja Universal levantou uma polêmica na Câmara Municipal – religião e homossexualismo. O vereador Algaci Tulio (PMDB) defendeu o projeto e a igualdade entre as pessoas.

Para o coordenador da Appad, a Associação Paranaense da Parada da Diversidade, Marcio Marins, o tema foi tratado com preconceito pela chamada bancada evangélica na Câmara.

A polaridade dividiu também os presentes na Câmara Municipal nesta segunda-feira. O segundo andar do Plenário ficou praticamente lotado. De um lado, o apoio à Appad. Cerca de 40 pessoas acompanharam as discussões, estendendo faixas pedindo respeito e o fim da discriminação. Entre elas, Cecilia de Castro, integrante do Grupo Dignidade, que foi até a Câmara apoiar um movimento semelhante.

Já os contrários à proposição de utilidade pública à Appad estiveram do lado oposto do Plenário, literalmente. Cerca de 80 pessoas, todas seguidoras da Igreja Universal, manifestaram o repúdio ao projeto. Um dos representantes do grupo, o pastor Leandro Bianco mostrou que o discurso evangélico está sincronizado. Eles dizem que preferem discussões mais importantes na Câmara.

E como o projeto causou polêmica, não faltaram as manifestações dos dois grupos. Em diversos momentos, durante os discursos dos vereadores, as pessoas aplaudiam ou vaiavam o orador, e o vereador Tito Zeglin (PDT), que presidiu a sessão legislativa, teve de intervir.

A rejeição de uma entidade ligada ao movimento GLBT causa estranheza, já que outras entidades já receberam o mesmo título anteriormente na Câmara Municipal. Uma delas é o Transgrupo Marcela Prado, uma associação de travestis, que foi declarada de utilidade pública em novembro de 2007. A presidente Samantha Volcano, que também acompanhou a sessão, reclama do preconceito com que os travestis são tratados.

A proposição de utilidade pública à Associação Paranaense da Parada da Diversidade é da vereadora Professora Josete (PT). A entidade existe há 15 anos, mas desde 2004 com esse nome. A principal realização é a Parada da Diversidade, que ocorre anualmente em Curitiba desde 2005. Além disso, a Appad desenvolve atividades sociais na área cultural e de saúde, na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e na promoção da cidadania e de direitos humanos.